A autora
Maria José Dupré ou Sra. Leandro Dupré
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Obras:
Dona Lola
Éramos Seis
Gina
Luz e Sombra
Menina Isabel
O Romance de Teresa Bernard
Os Caminhos
Os Rodriguez
Vila Soledade

Infanto-juvenis
A Ilha Perdida
A Montanha Encantada
Mina de Ouro
O Cachorrinho Samba
O Cachorrinho Samba na Fazenda
O Cachorrinho Samba na Floresta
Profícua escritora de romances e livros infantis, notabilizou-se pelo estilo arrebatador que com o qual produzia suas obras. Nascida na Fazenda Bela Vista, em Botucatú, publicou seu primeiro conto, Meninas Tristes, no jornal O Estado de São Paulo, sob o pseudônimo de Mary Joseph, em 1938, pelas mãos de Guilherme de Almeida. Em 194l, O Romance de Teresa Bernard era publicado pela Editora Nacional com despesas pagas por seu marido. Tendo a edição se esgotado em pouco tempo, o dinheiro investido foi recuperado e nova impressão foi providenciada, desta vez custeada inteiramente pela editora.

Éramos Seis foi premiado pela Academia Brasileira de Letras e chegou a vender um milhão de exemplares, sendo transformado em filme na Argentina e, junto com Gina, adaptados para telenovelas no Brasil. O conteúdo dramático de ambas as obras, entretanto, desapareceu quase que por inteiro na televisão.

Com o marido, Leandro Dupré, e Monteiro Lobato, fundaram a Editora Brasiliense, porém, tempos depois, transferia-se para a Editora Saraiva. Seus romances foram traduzidos para o sueco, francês e espanhol. De sua obra, destacam-se Luz e Sombras, Angélica, Os Rodrigues, Vila Soledade, Dona Lola, A Casa do Ódio e Menina Izabel. Escreveu também livros infantis, sendo o primeiro Aventuras de Vera e Lúcia, Pingo e Pipoca, seguindo-se A Ilha Perdida, O Cachorrinho Samba na Floresta, O Cachorrinho Samba na Bahia e O Cachorrinho Samba na Rússia.

O cão Samba, herói de tantas histórias, fora seu animal de estimação e viveu em sua propriedade na rua Cuba, em São Paulo, cercado de crianças curiosas em conhecê-lo. O casal não teve filhos.

Em sua autobiografia, Os Caminhos, escrito em 1969, existe uma passagem interessante a respeito da escolha do nome que a identificaria como romancista: Chegou a hora do nome. Eu disse que preferia um pseudônimo, o mesmo do conto: Mary Joseph. Houve discussão, troca de idéias, outros foram consultados. Ninguém compraria um livro de autor desconhecido e com nome esquisito. Imaginava os sorrisos engraçados: "Agora você virou romancista? Escritora?" E se ninguém comprasse? Se o romance não tivesse sucesso? Artur Neves falou com energia: "Um romance com esse pseudônimo estaria condenado ao fracasso..." Leandro teve uma idéia: "E se ficar Sra. Leandro Dupré? O que o senhor acha?" Voltou-se para mim e disse brincando: "Iremos juntos para o sucesso ou para o fracasso..." A propósito: a autora usou o nome do marido por várias décadas. Maria José Dupré faleceu aos 79 anos, 15 de maio de 1984.

Trecho da crítica sueca "Expresser", de 18.09.1947: Brasileiro e Humano
O primeiro romance brasileiro traduzido para o sueco é "Éramos Seis", de Mme. Leandro Dupré. Desde a primeira página ou da segunda, para evitar exageros, ficamos interessados e depois fascinados. Vivemos a existência dessa família, sofremos doenças e mortes, sorrimos com as brincadeiras das crianças, gememos com os pagamentos da prestação da casa, sentimo-nos inquietos quando Carlos e Alfredo discutem. "Éramos Seis" é pois um livro que decididamente oferece ao leitor, o prazer de se encontrar, e isto é profundamente humano.

Mergulhamos na vida desta família: nos momentos trágicos, nos dias tristes, nas pequenas preocupações; tudo isso faz um fundo grandioso que se chama: nascer, crescer, morrer. Este velho tema dá ao livro, dignidade, brilho e calor. Na descrição, tudo o que é tipicamente brasileiro forma uma moldura em torno da família. A íntima solidariedade entre os membros da família portuguesa, a rigorosa educação dos jovens, os santos católicos, as revoluções, os doces com nomes exóticos, as manifestações sentimentais são de um colorido mais vivo em São Paulo que em Estocolmo. No entanto somente isso é que distingue a família Lemos de uma família Berglund ou Lundhberg da Suécia.